Curiosidades

Adriano e Heleno: Boleiros da vida

Adriano e Heleno

Por: Leandro Massoni

Assistindo ao filme “Heleno” em companhia de meu pai à noite, conheci mais a respeito do antigo craque do Botafogo. De comportamento agressivo com seus companheiros, arredio com a comissão técnica e até mesmo com o próprio presidente do clube, eu percebi certas características nele encontradas que são similares ao momento que vive o “ex-jogador ainda em atividade” Adriano.

helenoO mineiro Heleno de Freitas, oriundo de São João Nepomuceno, era um exímio atleta. Jogador do Botafogo carioca, ele driblava sem igual e tinha um ótimo cabeceio na pequena área. Era um terror com seus adversários. E se tinha sorte como jogador, esbanjava-a com as mulheres. Não deixava a vida boêmia de lado e quando encontrado, estava sempre rodeado de boas companhias femininas. Seu comportamento não era um dos melhores. Apelidado de “Gilda” pelo Clube dos Cafajestes e pela torcida do rival Fluminense, por ter um temperamento explosivo como a personagem da atriz norte-americana Rita Hayworth de um filme com o mesmo nome, menosprezava seus companheiros, se autoafirmava um jogador superior aos outros e que não cobiçava o dinheiro, mas a fama e a vontade de levar o clube de General Severiano rumo a um título estadual.

Adriano Leite Ribeiro, o carioca da Vila Cruzeiro, viveu ao longo de sua carreira seus autos e baixos. Revelado pelo Flamengo, despontou fora do país atuando pela Internazionale (Itália), marcando muitos gols e fazendo a torcida ir ao delírio com diversas conquistas pelo time de Milão, lhe rendendo o apelido de “Imperador”. Aspectos esses que levam a comparação com o ex-craque botafoguense.

O estrelato no futebol e a vida à noite tornaram de Heleno dependente químico. Em alguns momentos, sozinho, se drogava como forma de extravasar sua raiva ou descontar o que estava vivendo. Ao perder um pênalti decisivo diante do rival Fluminense, o jogador, muito questionado pelos seus defeitos, foi afastado da equipe carioca. Seus companheiros não possuíam afinidade com o atleta por conta do estado em que chegara com a sua rebeldia e prepotência.

Adriano na Inter de MilãoJá Adriano, teve brilhantes passagens pela seleção brasileira, inclusive, deixando boas recordações aos argentinos, vítimas de gols importantes que fizeram o Brasil campeão da Copa América em 2004 e da Copa das Confederações em 2005. O que perseguia o craque carioca era a saudade de casa. O fator contribuiu para o início da derrocada do atleta. O jogador começou a beber mais, sair para festas noturnas e voltar apenas no dia seguinte, atrasado para treinar no clube italiano, e desta forma, perdeu seu espaço entre os titulares e amargou a reserva.

Heleno estava cada vez mais inconseqüente dos seus atos. Bebia e desperdiçava seu dinheiro com o sexo. Nem mesmo a ida para o Boca Júniors, da Argentina, fez o craque se controlar. O fato de não se adaptar ao frio e as condições climáticas não tirava o calor pelas mulheres. Ficou apenas uma temporada e regressou ao Brasil para cuidar da esposa e do filho recém-nascido.

Em 2008, Adriano regressa ao Brasil e veste a camisa do São Paulo para disputar o campeonato paulista, tendo uma boa passagem pelo tricolor paulista. Após o fim do campeonato estadual, o imperador volta a Milão, e depois de alguns meses, rompe seu contrato com a equipe italiana. E como o bom filho à casa retorna, o jogador volta ao Flamengo em 2009. O anúncio de Adriano no rubro negro era visto como o renascimento do craque, após um período de sumiço na Itália, ainda quando estava vigente seu contrato com a Internazionale. O refúgio em terras brasileiras, mais precisamente ao morro carioca, fez o jogador reencontrar o passado e os velhos amigos. O ano foi maravilhoso. O imperador voltou a governar o ataque da Gávea e levou o time a ser campeão brasileiro.

De volta ao país, o “Príncipe Maldito” acabou se alojando no Vasco da Gama, pois não teria a oportunidade de voltar a vestir a camisa do Botafogo. No clube de regatas foi onde conseguiu seus dois únicos títulos como profissional: O Campeonato Carioca e o Campeonato de Aspirantes de 1949. Mas as conseqüências que a bebida e a droga faziam em Heleno se agravavam e o entrosamento com o grupo não foi diferente e as brigas e o autoego persistiram. Embates com o técnico fizeram o craque sair de São Januário e rumar em busca de um novo clube.

O imperador Adriano voltava a cair no trago, entregando-se a uma vida onde o futebol não havia tanta importância. Pensou em desistir da carreira. Ainda teve uma passagem pelo Roma (Itália), mas ofuscada pelos vícios e saídas à baladas locais. Voltou ao Brasil para atuar pelo Corinthians em 2011. O jogador sabia que seria uma das últimas oportunidades que teria para voltar à ativa no esporte, só que o fato não ocorreu e o imperador, vaiado pela torcida e pelo seu comportamento extracampo e cheio de polêmicas, foi dispensado do time de Parque São Jorge.

Heleno de Freitas no América-RJPara Heleno, lhe restava apenas se amargar nas drogas que não o largavam. Uma última chance concedida pelo América, clube de muita tradição no futebol carioca, lhe foi dada. Durante todo o filme, mostrava-se um Heleno que não se preocupava com seu estado de saúde físico e mental. Estava mais interessado em sua vaidade e pela forma como cativava as mulheres da época. Na equipe, o jogador fez apenas uma partida, e foi no Maracanã, local onde tinha o desejo de jogar.

Perambulando pelas noites cariocas, Adriano, então, parece desnorteado e sem direção na carreira pessoal. Após as polêmicas e confusões que arrumou fora de campo, o imperador estava perdendo seu espaço no cenário do futebol nacional, já que fora do país, estava sem credibilidade. A última aposta feita pelo Flamengo recentemente ainda não surtiu efeito e o jogador sequer entrou em alguma partida neste ano pelo Campeonato Brasileiro.

Por fim, Heleno foi internado no Hospício de Barbacena em 1953, no Rio de Janeiro. A loucura o tomava por completo e as complicações com a sífilis (doença sexualmente transmissível) se agravavam. O arrependimento bateu a porta do jogador e todas as lembranças vieram à tona, mas já era tarde. Em 1959, aos 39 anos, o Brasil perdia um dos jogadores mais brilhantes vistos antes de Pelé e considerado um dos primeiros “Bad-Boys” que os amantes de futebol já notaram.

Será que Adriano irá se reerguer e lutar para vencer ou se dará por vencido se entregando ao ostracismo, tendo quase o mesmo fim de Heleno? Esta é uma questão que ainda aguarda por uma resposta. A vida desses dos personagens se assemelham. Um era o “Príncipe Maldito”, o outro, o “Imperador”. Foram excepcionais em seus times de coração, sendo que o primeiro não conquistara títulos pelo Botafogo.  O segundo conquistou além de conquistas, a paixão da torcida brasileira. Ambos tiveram passagens pela seleção nacional com muitos gols. As polêmicas com a bebida e vícios são comuns. Resta saber se o imperador tomará uma nova atitude ou encerrará de vez a carreira ainda cedo, aos 30 anos, de forma menos triste quanto foi a morte de Heleno.

Veja vídeo comparativo entre Adriano e Heleno:

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