Curiosidades

Kerlon e Keirrison: Casos ou descasos?

Por: Leandro Massoni

 

Mas o que há de errado com os nossos boleiros atuais? Antigamente, era muito raro lapidar grandes “joias” para o mundo da bola. Somente alguns, sendo contáveis até nos dedos, como Zico, Garrincha e o próprio “Rei” Pelé conseguiram desbancar as marcações da vida e vencer inúmeros obstáculos. Agora, existem diversas formas de ingressar a carreira como futebolista e conseguir uma equipe, mesmo que sem nenhuma expressão no cenário nacional, mas para jogar e mostrar seu trabalho.  As peneiras, cada vez mais abrem espaço para novos atletas, também conhecidos como futuros promissores.

Mas quando aquele jogador realmente desponta, se consagra no time, sendo de coração ou de consideração, e tem os holofotes da mídia voltados a sua imagem? Pois é, dois casos peculiares podem ser vistos de forma quase semelhante, ao começar pela primeira letra de seus nomes, o “K”.

Jogada da "foquinha" aplicada no santista Wendel

Jogada da “foquinha” aplicada no santista Wendel

O primeiro é conhecido pelos mineiros celestes. Nascido em Ipatinga, Kerlon Moura Souza, ou apenas Kerlon, com apenas 18 anos, ficou conhecido por um inusitado truque com a bola: O drible da foca. A jogada consistia em fazer embaixadinhas usando a cabeça e assim, passando por adversários, que mal sabiam como pará-lo. Na maioria dos casos, a falta era a melhor solução.  Conseguiu seu espaço no clube e vestiu a amarelinha no título do Campeonato Sul-Americano Sub-17 em 2005, na Venezuela, graças à sua ousadia imposta em campo frente aos adversários.

Primeiros anos de Keirrison no Coritiba

Primeiros anos de Keirrison no Coritiba

Já Keirrison de Souza Carneiro, ou somente Keirrison, foi mais um que despertou o interesse de muitos. Oriundo de Dourados, no Mato Grosso do Sul, veio jovem para o Cene, clube do estado.  Transferido para o Coritiba, teve grande participação com a camisa paranaense como vice-artilheiro da Copa São Paulo de Juniores de 2006. Na equipe profissional, foi artilheiro dos regionais de 2006 e 2007 e campeão com o clube em 2008, ano em que deslanchava como uma grata surpresa do futebol brasileiro. Prêmios e marcas pessoais, como os 21 gols no Campeonato Brasileiro de 2008 ao lado de Washington e Kléber Pereira, grandes clubes o sondaram, entre eles, o Palmeiras.

Kerlon com a camisa do Chievo Verona, da Itália

Kerlon com a camisa do Chievo Verona, da Itália

Era a hora de partir, ou melhor, a hora da verdade. Pois hoje, na cultura do futebol moderno, o grande jogador é aquele que consegue a fama pelo velho continente.  Na Itália, atuou pelo Chievo Verona, clube que alterna entre boas e péssimas posições no campeonato. Depois, um “tour” pela Internazionale de Milão, onde acabou sendo usado como uma espécie de “moeda de empréstimo” para outros clubes europeus.

Keirrison tem grande passagem pelo Palmeiras

Keirrison tem grande passagem pelo Palmeiras

A chegada de Keirrison ao clube de Parque Antártica, em 2009, era vista como a nova arma para o ataque alviverde, que desde a saída de Vágner Love, buscava um centro-avante com faro de gol apurado.  Não foi diferente. O “K9”, como ficou conhecido, foi o segundo maior artilheiro do Campeonato Paulista com 13 tentos feitos e o melhor início de um atacante com a camisa verde e branca na história: 16 gols em 14 jogos.

Passagem pelo Ajax, da Holanda

Passagem pelo Ajax, da Holanda

Mas nem sempre a Europa reserva os melhores momentos aos jogadores “brazucas”.  À exemplo, Kerlon foi emprestado ao Ajax, da Holanda, na temporada 2009-2010, mas não jogou uma partida se quer pela Eredivisie, por conta de uma grave lesão que o tirara de campo por muitos meses. Voltando ao Brasil, em 2011, tentou a sorte no Paraná, mas pediu para ser dispensado por não ter conseguido recuperar a forma física. Atuou em pouquíssimas partidas, sem ter ficado os 90 minutos completos dentro dos gramados.

Chegada de Keirrison ao Barcelona, da Espanha

Chegada de Keirrison ao Barcelona, da Espanha

E mais um brasileiro parte em busca de sucesso. Mas não foi bem isso que Keirrison viu em sua estadia no continente europeu. Contratado pelo Barcelona, da Espanha, não encontrava espaço para jogar e mostrar suas habilidades. Então, envolvido em negociações por empréstimo, passou por Benfica, de Portugal, em 2009 e Fiorentina, da Itália, em 2010 sem grandes aparições. Restava voltar ao Brasil e defender as cores do Santos, tendo uma participação discreta na conquista da Copa Libertadores da América de 2011, vencida pelo alvinegro praiano.

Kerlon tentando recuperar seu futebol no modesto Nacional-MG

Kerlon tentando recuperar seu futebol no modesto Nacional-MG

Não havia outras portas abertas para o “Foquinha” Kerlon. O jeito foi arrumar as malas e encarar o desafio de vestir a camisa do modesto Nacional Esporte Clube Ltda, em Agosto de 2011. Passou a maior parte do tempo no departamento médico resolvendo seus problemas físicos.  Atuou 15 minutos dentro de campo em apenas um jogo, diante do Vila Nova – MG. Em 2012, acertou sua ida para o Japão, onde irá defender o Fujieda MYFC (antigo Nelson Yoshimura Clube de Futebol), uma equipe fundada em homenagem ao já falecido Nelson Yoshimura, brasileiro naturalizado japonês e defensor da seleção nacional, e mantido por internautas desde 2004. Resultado: Sucesso na terceira divisão do campeonato nipônico, apenas “vendendo” sua imagem para uma marca de refrigerante com seu nome. Para quem já foi a sensação do futebol brasileiro, é muito pouco, e para muitos críticos, uma vergonha.

Kerlon "vira" refrigerante no Japão

Kerlon “vira” refrigerante no Japão

O regresso ao Coritiba, time que o revelou, é visto por Keirrison como o recomeço na carreira. A volta em 2012 foi prejudicada por uma lesão no joelho esquerdo. Resgatar o tempo perdido e poder um dia voltar a vestir a camisa da seleção canarinho, que já foi trajada em um amistoso não oficial contra a seleção do Campeonato Brasileiro de 2007.

A meta para esses jovens atletas é de um dia voltarem a ser aclamados e considerados novamente como esperanças para uma nação, que hoje, vive a onda de Neymar, Oscar, Lucas, entre outros que conseguiram seu espaço e são reconhecidos por aquilo que produzem dentro de campo. Agora, basta Kerlon e Keirrison darem a volta por cima, onde quer que estejam e trilharem um novo caminho rochoso e de muitas dificuldades para vencerem os impedimentos passados.

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